Vodka com Limão

Assassinato

Outubro 18, 2009 · Deixe um comentário

Certa vez…

O Papai Noel abraçou e deu um beijo de despedida na Mamãe Noel. Ao sair de casa suas botas afundaram na neve espessa. Olhou para o céu estrelado, ótima noite para entregar presentes. A manhã de Natal será bonita. Caminhou até seu trenó e correu a mão sobre as cordas para se certificar que as renas estavam bem presas. Chegou na primeira rena e disse:

- É, Rudolph, seu nariz vai iluminar o caminho mais uma noite.

A rena respondeu batendo os cascos. Papai Noel deu sua risada de sempre e se preparou para colocar o saco de presentes nas costas. Ao erguer o saco vermelho, um helicóptero irrompeu pelos ares quebrando o silêncio da noite e dois homens de preto desceram por cordas. As renas ficaram em polvorosa. Quando chegaram ao chão, os homens sacaram metralhadoras e atiraram no Papai Noel.

O sangue quente derretia a neve até tingir de vermelho o que era branco e puro.

Era uma vez…

Um coelhinho branquinho que para cenoura não dava muita bola, só pensava em Coca-Cola e que estava se preparando para a Páscoa rolava ovos de chocolate até as cestas de vime. Quando encontrava ovos que certamente não passariam no controle de qualidade ele comia e dividia com os outros animais da campina. Até a raposa, sua maior inimiga, nessa época se deleitava com o estímulo de produção de serotonina e não tinha surtos de querer caçar.

O Coelhinho da Páscoa fechava sua trigésima terceira cesta do dia procurando algumas flores para decorar quando encontrou o Ovo de Ouro. Não era o maior de todos, mas mesmo assim os olhinhos do Coelho se encheram d’água. Ovos de Ouro são muito raros. Um centímetro e meio de chocolate trufado da suíça entre duas camadas de três milímetros de chocolate com nozes, coberto por ouro comestível. O sol competia com o ovo para saber quem brilhava mais.

- Peter Habbit o caralho, meu nome é Coelhinho da Páscoa.

O Coelho se apressou em ajeitar o Ovo de Ouro numa cesta e quando ele terminou uma sombra cresceu sobre a campina. O Coelhinho da Páscoa tentou correr, mas já era tarde demais. Uma foice decepou-lhe a cabeça, sujando todas as cestas de sangue.

Todas as vezes…

Quando uma criança perdia um dente de leite, a Fada dos Dentes sabia que teria trabalho durante a noite. Isso se ela não tivesse que competir com o Ratão, o Mourão, a Pombinha ou outros seres que buscassem o dente em cima do telhado da casa. Fora as tias, avós e babás que não deixavam a criança ganhar sua moedinha só para fazer um cordão.

A noite fez o céu escurecer e as crianças se aprontavam para dormir colocando seus dentinhos em baixo do travesseiro. A Fada dos Dentes carregava feliz e saltitante a bolsinha cheia de moedas que ela trocaria por dentes. Dente de leite em pó é muito valioso, serve como ingrediente para poções do amor e poções de crescimento instantâneo. A Fada andava pelo jardim de uma casa, esperando a criança dormir, quando três cães zumbis ferozes apareceram. Ela levantou o vestido, sacudiu os pés jogando os sapatos para longe e pôs-se a correr. Mas ela não foi rápida o bastante. As moedas se espalharam ensangüentadas pela grama e por entre as flores.

Mais uma vez…

A menininha fungou. Virou as costas para a mãe assassina e subiu as escadas chorando.

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